mainieri's

Quinta-feira, Maio 24, 2012

Libido oculta



Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Maio 21, 2012

Estelar



Ricardo Mainieri

Terça-feira, Maio 15, 2012

amoroma



Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Maio 11, 2012

Favela



Ricardo Mainieri

Terça-feira, Maio 08, 2012

Pedigree



Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Maio 04, 2012

Adiamento



Ricardo Mainieri

Terça-feira, Maio 01, 2012

Quimera



Ricardo Mainieri

Quarta-feira, Abril 25, 2012

(De)poente


Segunda-feira, Abril 23, 2012

Fagulha




Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Abril 20, 2012

Breve ato

Quarta-feira, Abril 18, 2012

Azar






Ricardo Mainieri

Terça-feira, Abril 17, 2012

Contágio





Ricardo Mainieri

Quinta-feira, Abril 12, 2012

Maratonista



Terça-feira, Abril 10, 2012

Overdose



Segunda-feira, Abril 09, 2012

Freedom





Ricardo Mainieri

Quinta-feira, Abril 05, 2012

Fases



Quarta-feira, Abril 04, 2012

Ofício






Nua partitura
vesti-la de pausas
& notas
é a missão.

Na mão
o violão companheiro
e nenhuma inspiração.


Ricardo Mainieri

Quarta-feira, Março 28, 2012

Mente nublada






Manhã.

Nada de novo
apenas cansaço
dos dias.

A vida rápida
ríspida
insalubre.

A real idade
do rosto
versus o espelho.

A face escura
das coisas
a mente nublada.

Uma tênue esperança
de sol.

Ainda que tarde.


Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Março 26, 2012

Poema floral






Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Março 23, 2012

(H)eras



Quarta-feira, Março 21, 2012

Líquido desejo





Ricardo Mainieri

Quarta-feira, Março 14, 2012

Sedução escarlate






Bebo
ao
c
a
i
r
da tarde
solitário Campari.

O sol solidário
se põe escarlate.


Ricardo Mainieri

Domingo, Março 11, 2012

O semeador






A noite de sono
descansa
às margens da cama.

O sol e suas chamas
me chamam.

Vamos à lida
semeando a prosa & poesia
de todo o dia.


Ricardo Mainieri

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poesia concebida à partir de um
quadro de Van Gogh, O semeador

Quarta-feira, Março 07, 2012

Antiimperialista






Americanos
não querem só tua mente
também teu estômago
para te fast-food(izar)


Ricardo Mainieri

Quarta-feira, Fevereiro 29, 2012

Poesia e (R)evolução






O ofício do poeta
é adentrar
sorrateiramente
no submundo dos sentimentos.

É transitar
aleatoriamente
pela aparência organizada
dos seres & das coisas.

E extrair
sem alarde
uma visão desviante.

Sempre adiante
a poesia (r)evoluciona
ou não há solução.


Ricardo Mainieri


___________________________________

reflexão poética sobre texto de Rose Dias.
Conheça mais de sua poesia no blog:clique aqui

Quarta-feira, Fevereiro 22, 2012

Sob um céu duvidoso






Tarde finda
chuva ainda
molha os sentimentos.

Na cidade forasteira
me tenho inteiro.

E preparo a viagem
visando a paisagem
que se debruça adiante.

Na valise
vão meus sonhos
na mente
o que couber do voo.

Em terra firme
quem me espera?

O que esperam?

Nada sei das respostas
e preparo o pouso.


Ricardo Mainieri

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2012

Subúrbios






Minhas impressões da Zona Norte carioca, à bordo dos trens da Central do Brasil, numa viagem da memória.


Janelas desdentadas
sorrindo sua tristeza
desfilam pelos trilhos
do trem suburbano.

Pessoas dormem
rostos restam atentos
ao pregão do camelô ativo.

Magra esperança
nos olhos de todos
acompanhando estações.

A cidade nunca chega
a felicidade
nosso dia
quando chega?

Um apito
dança no ar
e avisa :
meu coração descarrilou.


Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012

Mecanismos de defesa






Embora
tenha a alma bélica

trago
um sorriso-gatilho
no rosto.


Ricardo Mainieri

Terça-feira, Janeiro 31, 2012

Tarja preta






deixe-me ser louco
no oco do mundo

já estou internado
dentro de mim

sem indicativo de alta.


Ricardo Mainieri
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uma homenagem pós-moderna
ao heterônimo Álvaro de Campos

Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

(Di)verso






Verto
um verso
diverso.

Venço o adverso
e oferto
um (uni)verso
de palavras vagas.

Outro mundo
fecundo
de sementes.

Na espera
colheita poética
tardia.


Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

Pura seda






da cronista carioca Rosa Pena


Ele entrou em minha vida pela porta da minha carência.

Minha existência estava um caos. Meu coração parecia uma lata de lixo: garrafas vazias de ilusões, jornais velhos de esperanças, cacos de amores passados.

Achei que desta vez seria quase eterno. Meu estado de alma valeria uma nota no jornal: “Mulher tocada pela vertigem da paixão.”
Hoje, a manchete seria diferente...

Lembrei-me do programa Fantástico, que falava sobre manual de instrução para eletrodomésticos.

Outro dia, li o da minha máquina de lavar. Ela é fraca, sempre apresenta defeitos. Como o meu coração, esse também não é uma Brastemp.

Atentei que existem dois comandos: automático e manual. Peças pesadas, peças leves. Sempre usei o automático. Aperto um botão e sai funcionando sozinho. Muitas roupas já desbotaram, outras mancharam, algumas rasgaram. A maioria teve seu tempo de uso extremamente diminuído.

A pressa enfeiou-as. Estragou-as.

Ah... as minhas relações com o amor são parecidíssimas. Sempre esqueço que existe o botão das peças delicadas. Com ele é permitido regular a lavagem. Ficam um pouquinho de molho, torcem devagar e não centrifugam para secagem rápida.

Então, percebo que o amor é pura seda.

Não deve sequer ser levado à máquina. Lava-se com a mão, bem devagarinho. Não se torce; usa-se um sabonete delicado; deixa-se secando ao tempo, sem pregadores, para não marcá-lo.

A opção manual dá mais trabalho, mas permite que se usufrua por muito mais tempo da beleza original.

Perdi há pouco uma lingerie linda. Rasgou.

O amor que entrou tão de repente, pela porta da frente, foi tratado como brim. Centrifuguei demais. Ficou cheio de marcas, esgarçado. Desbotou em semanas.
Ontem, rasgou-se definitivamente.

Saiu pela porta dos fundos, para a lixeira. Foi fazer companhia aos outros cacos que lá estão.

Estranhamente não chorei. Estou ficando acostumada.

“Je ne suis jamais seul avec ma solitude”

George Moustaki

Ele diz que nunca fica só, pois tem a solidão ao seu lado.

2003
livro PreTextos
_________________________________

Conheça mais da prosa desta cronista
carioca neste endereço: clique aqui

Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

Pós-guerra







A Praça Otávio Rocha
amanheceu despida.

Brutos estupraram
a vegetação.

No entanto
vestígios foram vistos.

Como num pós-guerra
jaziam galhos agonizantes
& troncos decepados.

Morte em meio ao centro da cidade.

A barbárie venceu à civilização
pretensa modernidade
maquiada por interesses infames.

Mas vozes não calam
e o poema é espelho
para que todos os justos se mirem.


Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

Pedra sobre pedra






Reconstruo-me
a cada fim-de-semana

fibra por fibra
sonho por sonho

rumo ao portal
de um outro dia.

Enfrento o trânsito
o transe dos outros

dos que não despertaram
para o novo dia

para a vida quem sabe.

Estranho a esse universo
folheio revistas & jornais

mesmas páginas repaginadas
mesmas notícias escuras.

O ócio entrou em exílio
e mora quem sabe
nalguma praia paradisíaca

me restam o mesmo rosto
as mesmas rotas de fuga

simples retalhos
desta realidade
maquiada & envelhecida.


Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Janeiro 13, 2012

Cotidiana





Como nomear
sentimentos inumeráveis?

Dimensionar de imediato
os aposentos da alma?

A vida segue
seu ritmo ordinário
alheia a toda reflexão.

Dividido
entre o etéreo & o estéril
prossigo.


Ricardo Mainieri

Quarta-feira, Janeiro 11, 2012

Ao som de Gismonti






Tarde solta
revolta de sorrisos

Acordes em viagem
percorrendo-me.

Coração
percussão de emoções
azuis.

Céu de infância
ciranda de luz.

Instrumento
na pauta dos sonhos
página onde imprimo amor.

Música trazendo harmonia
breve mania
de ser feliz.


Ricardo Mainieri


_______________________________________

Simples tentativa de recriação da música Palhaço
, de Egberto Gismonti, em feição literária.

Terça-feira, Janeiro 10, 2012

Mediunidade






Convoco
os malditos
a sentarem-se ao redor da mesa.

Temos parentesco
de alma.

Glaúber
Oswald
Dalí.

Mentalizem sua ajuda !

A mediocridade
está dominando o planeta.



Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Janeiro 09, 2012

Revelações






tessitura
das estruturas
etéreas

pulsante dialética
dialoga
entre espírito & matéria

o peso rarefeito
o sólido que flutua

busca de uma vida
ou bem mais de duas

enigma que se esquiva
de mim
de todos

não compactua.


Ricardo Mainieri

Quinta-feira, Janeiro 05, 2012

Carta a um maduro poeta






Amigo poeta, li detidamente tuas colocações sobre a poesia nos meios virtuais e concordo contigo sob certos aspectos.

Existe uma proliferação de material poético escrito no Facebook e outras redes sociais. Boas produções, textos medianos mesclados com um sem-número de poesias de fôro íntimo.

Sinto um clima de urgência nas pessoas, o que resulta, em muitas vezes, num texto, ainda, sem o devido acabamento. Algum material literário, realmente, não vai ir muito além da função catártica das vivências e emoções do autor.

No entanto, a publicação de textos em grupos de adesão literária envolve uma possibilidade de crescimento.

Se a pessoa possuir a necessária humildade de assimilar críticas, de buscar a constante reelaboração de sua poética, seu texto pode sair ganhando em algum decurso de prazo.

Claro, nem todos conseguirão transcender o nível confessional. Alías, a maioria nem quer, mesmo.

No entanto, creio que o poeta que interage com os outros, que se propõe a ver seu texto como um ser mutante, pode sair ganhando nesse processo.

O livro impresso é um Graal que todo o escritor persegue, mas os caminhos que levam a ele, bem que podem passar pelo convívio internético.

Separar a pérola dos excrementos do molusco, eis a tarefa.


Ricardo Mainieri

Terça-feira, Janeiro 03, 2012

Libelo






Poesia nutre-se
do claro/escuro
desta vida

do casto
& impuro

é iconoclasta
incandescente
visceral

ou nada.


Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Janeiro 02, 2012

Ferida







Aberta fenda
na camada de ozônio

indefesa

alerta a mente
a vida é uma zona

polu(i)ção
noturna & diurna
de resíduos terminais.


Ricardo Mainieri

__________________________________

sobre um texto de Paulo de Toledo.
Conheça mais do poeta: clique aqui

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

(Des)encanto 2012






Fecha-se o ciclo do ano

em círculos
move-se a vida volátil

como certas retrospectivas

que a tevê
teima passar em reprise

o que se projeta
no horizonte do mundo?

a paz ou projéteis
riscando a quietude da tarde

esta dúvida arde
os corpos também

alheios ao fogo cerrado
no consumo de mimos & modas

enquanto outros tramam
uma espécie de morte

dos sem rumo & dos sem sorte.


Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Dezembro 26, 2011

Adiamento






Deixo
espessas camadas
do sono
cobrirem-me.

O amanhã
precisa vencer
o inverno e a noite.

Bebo
e celebro a alegria
do momento.

Provisoriamente.


Ricardo Mainieri
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do livro inédito "O Passaporte de Eros"
, livremente inspirado em poema de F. Pessoa

Quinta-feira, Dezembro 22, 2011

Feliz Natal



Quarta-feira, Dezembro 21, 2011

Platônico






Tua imagem
na mente
incêndio no coração.

Tua voz ecoando
(su)ave.

Para o voo do amor
cobra-se pedágio.


Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Dezembro 19, 2011

Caos & meditação







Espero o transe
a mente muda.

Mar aberto para surfar
em ondas alfa.

Tudo muda
no intervalo entre
o que ouço & vejo.

Viajam pensamentos
no trânsito de mim mesmo.

Imagens & desejos
são cookies da alma
fragmentos.

Entretanto
o presente é único
infinito momento.

Ponte
entre o princípio & o fim.


Ricardo Mainieri

Quinta-feira, Dezembro 15, 2011

Saudosismo






Saudade das uisquerias
que nunca frequentei.

De suas portas almofadadas
& seguranças mal-encarados.

Saudade de uma cidade
que fechou seu passado
em compartimentos invioláveis.

Sou órfão dessa história
subterrânea
clandestina.

Meu destino é recordar.

E renitente
(sobre)viver.


Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Dezembro 12, 2011

Ocaso






Pela moldura da janela
o sol se põe:
fotográfico.


Ricardo Mainieri

____________________________


poema da coletânea 501 poetrix
para ler antes do amanhecer - 2011.
Conheça mais: clique

Sexta-feira, Dezembro 09, 2011

Retrospectiva






Acordes indecisos.

Acordam-me
ou não.

Luz tênue resvalando
revelando escadarias
da alma.

Passos.

Traços
de lavanda
primaverando a solidão.

Estou perdido nesta selva.

Num safári
(des)governado
pela noite longa.


Ricardo Mainieri

Terça-feira, Dezembro 06, 2011

Tempo voraz






O tempo voraz
engole segundos
& séculos.

Sua volúpia
nem vazio rejeita.

Homens assistem
perplexos
sua intensidade.

E se curvam
em prece.


Ricardo Mainieri

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sobre um poema de Renan Sanves

Domingo, Dezembro 04, 2011

Visitante incerto






O sol
brincou de esconde-esconde
até os altos da manhã.

Nublou meus presságios.

Desenhou rugas no céu
e dentro de mim.

O menino que em mim reside
não resistiu e se recolheu.

Quem sabe retorne
repleto de luz noutra manhã...


Ricardo Mainieri