mainieri's

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Poemas que latem ao coração







Poemas que latem ao coração!

Organizado por Ulisses Tavares
Apresentação de Luisa Mell
Editora Nova Alexandria 120 pp.
14x21 cm /ISBN:978-85-7492-206-5/R$ 30,00

Lançamento : 18 de novembro, quarta-feira, às 19h30, na Livraria da Vila da Fradique e no dia 28 de novembro, sábado, às 15h00, no Pet Center Marginal, em São Paulo

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Estou latindo, também, nesta antologia canina com este poema.


Manchas na Alma


Um cão
em repouso
na calçada.

Um homem
em trânsito
pela tarde urbana.

Minha face animal
está ferida de civilidade
e late sem consolo.


Ricardo Mainieri - p. 29

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Horário de verão






Neste sábado
furtaram-me uma hora
de son(h)o.

Assim
só me resta dar queixa
na delegacia mais próxima...

Os ponteiros de meu relógio
biológico
foram adiantados
por decreto.

Decerto
condenam-me
a transitar pelos dias
feito um zumbi urbano
por entre bocejos & cafeína

Energia que o país
economiza
vai faltar no meu estoque.

Na ausência do travesseiro
quem sabe os isotônicos
façam-me companhia...


Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Chet Baker






Em adágio
docemente
um trompete sussurra luz

Ricardo Mainieri

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Antologia






Decifro mitos
nos signos de cada um.

Palavras lançadas
no silêncio.

Como dados & dardos
num golpe de sorte.

Parecem anestesiadas
sob a pele do papel.

O leitor as reanima...


Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Duerme La Negra







Enquanto o gás nos fazia chorar
Mercedes Sosa cantava
Me gustan los estudiantes.

Ela que trazia a Latino-américa
no semblante & na voz.

Enlaçava nosotros
em Los Hermanos
dando Gracias a la vida.

Sí fué para nuevos mares
assim como Alfonsina.

Entonces ahora
en silêncio
Duerme Negrita...


Ricardo Mainieri


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La Negra foi um dos mais famosos apelidos
de Mercedes Sosa

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Conquista






Depois do papo-cabeça
e muito álcool mente adentro:
a fruição dos co(r)pos...


Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Johnson & Johnson






Entre meu corpo & o teu

mais um limite:

a indústria americana...


Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Made in Bandeira






Se eu ficar
meio down
(load).

Vou me embora
para o Rapidshare.

Lá sou amigo do rei
e ganhei assinatura Premium...

Terei o cd
que eu quero
na mídia que escolherei.


Ricardo Mainieri

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Assim caminha a humanidade







Quando era mais jovem pensava que com palavras, ações pontuais e certo carisma poderia mover as intrincadas engrenagens do mundo.

Transcorriam os anos setenta e havia um projeto de luta no horizonte. Metaforicamente, poderia dizer que, ainda, batia-se às portas da Utopia e havia, sempre, alguém do outro lado...

Porém, os anos se seguiram e , cada vez mais, os sonhos foram sendo vencidos pela realidade mundana. Às vezes, usando o jargão esportivo, de goleada...

Em que pese o inegável avanço tecnológico que nos legou o computador pessoal, o telefone celular, a biotecnologia, o ser humano, infelizmente, deixou de perseguir certos objetivos menos tangíveis.

Enveredou pela luta do dia-a-dia, na busca de seu sustento material , num mundo globalizado e excludente. Cansado, após um dia de trabalho, desistiu de ser inquieto culturalmente, se entregando aos cuidados de uma televisão a cabo, de um cd player a executar a música da moda.

A consciência ecológica, o viés político foi delegado a poucos grupos como o Greenpeace e partidos do espectro socialista. O fator transcendente ficou restrito a participação mecânica em alguns rituais de sua devoção religiosa. O ser humano comum preferiu a segurança do coletivo a desenvolver seu potencial individual.
E assim caminha a humanidade, como já disse o cantor Lulu Santos baseado naquele antigo filme noir.

No entanto, no coração de alguns, poucos, restam as labaredas deste “fogo interior”.

Estes tímidos gritos de rebeldia nascem, por exemplo, nos blogs informativos que fazem um contraponto ao que a grande imprensa noticia. Ecoam suas vozes, nos blogs culturais que divulgam idéias e talentos, ainda, sem a luminosidade de um autor consagrado.

Estas manifestações pouco perceptíveis estão, também, nos movimentos religiosos que pregam a priorização dos valores humanos em detrimento às estruturas formais asfixiantes.

Apesar do panorama um tanto cinzento, nesta virada de século 21, esperanças rarefeitas, por certo, restam.

Vamos assistir, então, aos passos algo claudicantes desta humanidade. Que apesar de todas estas contradições pode, ainda, encontrar seu rumo. E que ele seja o do crescimento pessoal & espiritual e da compreensão mútua.

Quem sabe, veremos...


Ricardo Mainieri

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Poesia: partilha simbólica






Ao se fazer uma busca no GOOGLE, a palavra partilha é encontrada, principalmente, como expressão do meio jurídico. No caso, o formal de partilha feito por ocasião do inventário.

No entanto, pretendo falar de partilha, sob outros aspectos. Quero dizer de coisas que se dividem, não a nível monetário ou de bens, mas de poesia, como uma espécie de comunhão.

Pois, a poesia é um bem de baixo valor agregado. Simbólico. Não pode ser considerada, na linguagem dos economistas, uma commoditie confiável.

A poesia é economicamente estéril, não gera lucros. Por isso, não movimenta mercados futuros, nem salda dívidas passadas...

É apenas uma coleção de imagens & palavras que se desfazem no ar...(perdoe-me, Marshall Berman, pela livre-associação com o título de seu livro)

Entretanto, repousa profunda dentro de nós. Basta entrar em contato com um poema bem escrito. Fruir sua seiva de sons & imagens. Neste momento, temos a sensação, inequívoca, de provar um néctar de sutilezas.

Como um segredo cálido, a poesia se desnuda aos olhos de cada leitor.

Uma sucessão de véus e sons que vão se mostrando, a cada nova leitura. Com sensualidade, envolvimento.

Fiquem, então, com a poesia:




Cegueira


Poesia
deixou rastros.

Não percebi.

Mostrou-se nua.

Meus olhos
eram só sintonia
para o mundo
concreto e factível.

Imerso
nas correntes oceânicas
dos compromissos
a desprezei.

Ela tornou a voltar.

Arrependido
abracei-a em estrofes.

Ela ficou comigo.


Ricardo Mainieri

Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Das partilhas simbólicas






Poesia
tem baixo valor agregado.

Economicamente estéril
não gera lucros.

Não movimenta mercados futuros
ou dívidas passadas...

É apenas
coleção de imagens & palavras
que se desfazem no ar...

No entanto
repousa profunda dentro de nós.

Como um segredo cálido.


Ricardo Mainieri

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Composição






Harmoniosamente
habito a nua partitura
com melodias & palavras.

Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Agosto 28, 2009

Gourmet







A arte alimenta
à vida.


Proteínas rarefeitas
& açúcares ilusórios
num fast-food de signos.


Sirvam-se todos!

Nunca sacio
deste desjejum...



Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

Silêncio contrariado






Carrego dentro
um punhado de lágrimas.

Artefatos bélicos
não deflagrados.

Os ritos sociais
exigem penitência
ardis
disfarces.

Sou bom menino:
obedeço.

Num silêncio
contra & irado.




Ricardo Mainieri

Terça-feira, Agosto 18, 2009

versinhos encapetados






quando nasci
não tinha anjo disponível
então um diabinho com um tridente
espetou a minha bunda e disse - vai
cai na vida

líria porto

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Líria Porto é poetamiga, lá das Geraes.
Curtam o blog dela: endereço aqui

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

(Fra)terno






Vibrações fraternas
desafiam a chuva.

Rede de afetos
em paisagens & palavras.

São flashes de encanto
gotas solidárias
neste mundo em mutação.

Finda-se a chuva.

A manhã
- lentamente -
veste-se de cor...


Ricardo Mainieri

Terça-feira, Agosto 11, 2009

Ausências & cia.







Na margem nua
da tela
d
e
s
á
g
u
a
um rio seco
de palavras.


Ricardo Mainieri

Terça-feira, Julho 28, 2009

Autenticidade








Busco um real caminho
mente enredada
entre a moda & a mídia.


Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Julho 24, 2009

Autenticidade. Existe um caminho?







Em novembro de 2008, tive a felicidade de ver uma indagação enviada à revista Vida Simples, da Editora Abril, virar um interessante artigo do educador Eugênio Mussak. Ele lhe deu o título de "A marca de cada um".

Despretensiosamente, pretendia questionar sobre a dificuldade do viver estereotipado. Buscava a fórmula de como ser autêntico num mundo diário de máscaras e conveniências.

O articulista, então, foi desencavar a origem da palavra estereótipo, lá em suas raízes gregas, e, a seguir, com a maestria que lhe é peculiar, traçou brilhantes linhas sobre o tema.

Volto a este enigma de todos os tempos, agora por minha própria conta e risco.

Pois, num universo onde se espera que as pessoas tenham procedimentos usuais, onde câmeras vigiam dia e noite prédios, salas de trabalho, lojas e supermercados, o mais “normal” é que nos deixemos levar pela neurose coletiva e nos comportemos como bons meninos.

É certo que uma razoável maioria se deixa levar pelas regras e imposições sociais, pela moda e pela mídia. Exteriormente, se portam como cidadões aceitáveis. Com isso, ganham um respeitável nada consta no atestado de bons antecedentes e na folha corrida existencial....

No entanto, lá no mais profundo de cada pessoa, uma centelha pessoal resiste e quer mostrar que pode iluminar este universo. Talvez mais do que os “quinze minutos de fama”, de que nos falava o pop-artista Andy Warhol.

Antes dele, também, o psicanalista Carl Gustav Jung , em suas obras, nos indicava o percurso do árduo caminho da individuação. Trilha para dentro de si mesmo, onde devíamos reconciliar nossas verdades mais autênticas e seguí-las, como um viajante de um hipotético Caminho de Santiago.

Mais recentemente, o “mago” Paulo Coelho trouxe a idéia de “seguir sua lenda pessoal” e virou celebridade.

Minha trilha pessoal e de alguns companheiros reflete este caminho.
Herdeiros dos “Anos de Chumbo”, fabricamos nossa resistência na leitura de livros, nas rodas intelectuais universitárias, no escurinho dos cinemas de bairro, na abertura ao espiritualismo e em tantas tentativas de autenticidade.

Por isso, atualmente, vejo com certa tristeza as gerações mais jovens. Parecem terem perdido aquele élan juvenil de contestação, de criatividade, de fantasia.

Estão imersos em suas telas virtuais, perdidos num mundo de clichês mídiáticos,.


Muitos, infelizmente, estão navegando em paraísos artificiais fornecidos pelo crack, loló e outros entorpecentes Têm seus corações entregues, as almas dilaceradas.

Confesso, o professor Mussak foi mais otimista do que eu. Tem mais esperança. No fundo, acredita que Rosseau estava certo ao falar que o homem foi um bom selvagem, a sociedade é que o degenerou.

Então, para meu consolo, vou colocar no cd player um velho blues, me transportar no tempo e, momentaneamente, concordar com o articulista.

Depois, passado o efeito estético-musical, vou olhar para a rua e encarar a realidade invernal...


Ricardo Mainieri

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Rotina






O dia se repete
em sua eterna rotina:
nada de novo sob minhas retinas.


Ricardo Mainieri