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quarta-feira, agosto 10, 2016

Do ofício


Este poema recebeu a segunda colocação no Prêmio de Poesia Lila Ripoll, 2016, Porto Alegre/RS



DO OFÍCIO


escrever me redime
escrever me consola

expulsa
de meu templo
decaídos & demônios

reconstrói pontes
interditadas

desentope os poros
da alma

por isso
sobrevivo em versos

e canto.




Ricardo Mainieri 

quinta-feira, julho 14, 2016

Livro da Tribo



No ano de 2017 estarei participando, novamente, do Livro da Tribo. Para mim uma das últimas publicações de poesia alternativa no Brasil. Deixo aqui um dos poemas selecionados:


SHOPPING CENTER

o homo urbanus
adentra sem planos
su dulce lar

missão cumprida
a ida ao gueto do consumo
foi bem sucedida

com bolso & alma
leves

agora
descansa em paz.


Ricardo Mainieri

sexta-feira, julho 08, 2016

Dos sentimentos





quando o sentimento
com ou sem argumentos
tenta invadir o território

da alma

 o corpo acusa
os sentidos percebem

e soam os alarmes internos

a alma desconversa
cria subterfúgios
busca ensaiar a fuga

tola tentativa
pois o sentimento
mesmo indesejado

ensina

e é nosso mestre e senhor.


 Ricardo Mainieri


segunda-feira, junho 20, 2016

Agasalho líquido




tarde de sábado
frio por companhia
incendeio-me por dentro.


Ricardo Mainieri

segunda-feira, junho 13, 2016

Sol interior


terça-feira, maio 10, 2016

Aridez


terça-feira, abril 26, 2016

Estados físicos da alma


segunda-feira, abril 11, 2016

Arco-íris


sexta-feira, abril 01, 2016

Receituário


sexta-feira, março 11, 2016

Dos ipês


terça-feira, março 08, 2016

Mulheres da vida



conheço
muitas mulheres da vida

da vida sofrida
amparando filhos
que um homem sem norte
deixou para trás

da vida sentida
em todas cores & tons
embora lá fora escureça

da vida vencida
por sua competência
sua sensível inteligência

e que não contam vantagem disso

mulheres que tem o seu dia
todos os dias

não apenas oito de março.



Ricardo Mainieri

terça-feira, fevereiro 23, 2016

Bendito

 

 
felicidade
mesmo que instantânea

na combustão de um segundo

relâmpago que corta
o horizonte da face

num sorriso

emosentimento
que nem sei descrever

que pensei exilado
em algum confim

quando surge
é potente

tem a energia de megatons.


Ricardo Mainieri

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Desagravo

Poema que foi escolhido para figurar na antologia  "A palavra em prisma", organizada pela Prefeitura de Guarulhos/SP.




DESAGRAVO

leio na tela
a seta ofensiva

a ogiva de ódio
mal disfarçado

o lero-lero
dos entendidos
dos enrustidos

que estilhaça
a alma do poeta
que semeia cultura

bando de poetabutres
dividindo a presa.

Ricardo Mainieri

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em: "A palavra em Prisma", 2015 - Ed. Futurama - SP

terça-feira, janeiro 12, 2016

Do fruto e afins


terça-feira, dezembro 29, 2015

Sunday in New York



em algum domingo
estarei em Nova York

e ouvirei jazz
à meia-luz
num bar mágico & enfumaçado

deixarei
que o sopro lânguido do sax
me leve a horizontes áureos
edens imaginários

degustarei a melodia
acompanhado
de um white wine

serei feliz
por breve tempo

logo o despertador
invadirá meus tímpanos

e irá me trazer de volta
para a vida de todo dia.


Ricardo Mainieri


quarta-feira, dezembro 09, 2015

Caminho do meio




quarta-feira
meridiano da semana

 

não estou perdido
 

meu coração
se orienta
pelos pontos cardeais.



Ricardo Mainieri

quarta-feira, dezembro 02, 2015

Névoa






nascente manhã

de olhos semicerrados
 
neblina no ar




Ricardo Mainieri


segunda-feira, novembro 30, 2015

O coitado



desde pequeno
trazia um sim
grudado nos lábios

um olhar cabisbaixo

todos foram príncipes
na  vida

ele continuou
catando migalhas
de atenção

cabelos brancos
boca desdentada

palavras loucas
em infinito refrão.


Ricardo Mainieri

terça-feira, novembro 24, 2015

Das raízes



se for vero
persevero

radical
busco as raízes

delas extraio
a síntese

noite & dia

dialeticamente.


                                   
Ricardo Mainieri

quarta-feira, novembro 18, 2015

Maturidade







vida escorre
pelas dobras
do cotidiano


pelas fendas
da memória


não mais ilimitada
minutos tem valor
inestimável


ação
pede passagem
poesia liberdade


o tempo
espia implacável


e vai apagando
estorias

de coisas & gentes.


Ricardo Mainieri


terça-feira, novembro 10, 2015

Solidão em 4 G


 
um casal
defronte minha mesa

diante deles
dois celulares
de última geração

nas telas
intensas informações

não se falam
teclam

não se tocam
teclam

em seus planetas
particulares
o outro

não faz parte

solidão
em 4 G.


Ricardo Mainieri

quinta-feira, outubro 29, 2015

Adivinho


sexta-feira, outubro 23, 2015

Homem-esfinge





o homem tem mil faces

saber sua essência

não é fácil



um sorriso

veste-se de verdade

ou engana



um olhar

acaricia ao outro

ou se dissolve ao vento



por isso o mistério

a confirmação ou a surpresa



como na mitologia

uma pergunta

na garganta presa



decifra-me ou te devoro.


Ricardo Mainieri

quarta-feira, outubro 14, 2015

Canibalismo




coxa
sobre
coxa

fome
de degustar
teu corpo

sobre
mesa


Ricardo Mainieri

segunda-feira, setembro 14, 2015

Porto Alegre, anos 80




 
banhado

pela franja nervosa

das luminárias



percorria os bares



a cidade explodia

             em sons

      vozes

modernidades



pelas mesas

bebia das teorias

deglutia acordes



e a noite intensa

               insana
 devolvia êxtases



era outro tempo


jamais os planetas

se alinharão 
                 em conjunção



novamente.



Ricardo Mainieri


A imagem que ilustra o poema é do famoso bar Ocidente, meca da contracultura porto-alegrense.

quinta-feira, setembro 10, 2015

Sol interior


quarta-feira, setembro 09, 2015

Névoa íntima

 


neblina matinal
escondem-se 
seres & coisas
à espera do sol.


Ricardo Mainieri

quarta-feira, setembro 02, 2015

Perdas & ganhos





nem sempre
o sol ressoa no horizonte

nem sempre
a chuva hidrata os corações

então

a vida coleciona perdas

algumas sem backup
de reposição

no entanto
a esperança paira acima

pássaro invisível
que resiste & insiste

e voa na amplidão.



Ricardo Mainieri


quinta-feira, agosto 13, 2015

Ciclos








dentro

da terra escura

a semente descansa



regada de água

& luz

amadurece



e vai explodir

em vitalidade



quando

chegar sua hora.


Ricardo Mainieri


 

quarta-feira, agosto 12, 2015

Frágil idade




minha criança
não foi mimada
nem saliente

 

antes carente

cresceu sufocada
pela armadura

do adulto
 

não traz no entanto
a alma dura

 

sai a brincar
nas tardes de chuva
e deixa ao largo o casaco e a gripe

 

por favor não a irrite
ela é sensível

pode sumir sem aviso
 

não digo.


 Ricardo Mainieri

segunda-feira, agosto 10, 2015

Em processo






embora

a luz generosa do sol

os tempos

germinam sombras



os homens

andam escuros

poucos sorrisos no ar



momento de transição

de depurar

matéria & energia

num processo contínuo



até quem sabe

uma nova explosão



seja ela íntima

ou atômica.



Ricardo Mainieri


segunda-feira, agosto 03, 2015

A mente quântica





quem poderá me salvar
de mim mesmo?

de pensamentos & sentimentos
como elétrons
em órbitas circulares

a vida é quântica
complexa equação

onde tolo pensei
sucessão de tempos iguais

peço ajuda ao céus
quem sabe o sol me socorra

ou então me deixe inundar
por um universo de rarefeita luz

pois ainda guardo
uma reserva de afetos

e o abismo não me seduz.


Ricardo Mainieri

terça-feira, julho 28, 2015

All Blues


- ao mestre do trompete Miles Davis -


minha alma
tem nuances de blues
certo tom noir

pois se acende
ao compasso
das notas azuis

que se modulam
ondulam como o mar

na batida que se alterna
na negra voz que sussurra

então
nesta noite
não quebre o encanto

deixe-me 
enlevado ouvir
depois leve estar.


Ricardo Mainieri