mainieri's

segunda-feira, abril 23, 2018

6.º lugar no Concurso Literário de Monte Santo, Bahia, 2017.



A ARTE DA SIMPLICIDADE


aprendi
a ser simples


límpido
como a água
nascente


os versos mais tortos
deixei-os num canto

da memória

tudo deve fluir
como um canto

em harmonia

senão
não será poesia


será
sofisma
jogo de adivinhação


por isso
declino do convite

esta não é minha missão.

Ricardo Mainieri

quarta-feira, janeiro 03, 2018

Minha página autoral no Facebook

Cliquem e vejam minhas poesias e minicontos. Estão todos convidados.



Prêmio Literário - Bragança Paulista - 2017



V PRÊMIO LITERÁRIO CIDADE POESIA 

A Associação de Escritores de Bragança Paulista – ASES – tem o prazer de apresentar os vencedores do V Prêmio Literário Cidade Poesia, lançado em julho de 2017, com solenidade de premiação prevista para o mês de março ou abril de 2018. 

MENÇÕES HONROSAS:

Ricardo Manieri – Porto Alegre/ RS





YIN-YANG

             
o sol nascente
não aquece.

não esquece que por aqui
floresce
meu afeto.

não importam
os fusos
os confusos humanos
projeto meu ser no vento
e atento
posso ver-te.

caminhando
em meio a flocos de neve
e à chuva lilás
das cerejeiras.

Ricardo Mainieri
                              

terça-feira, outubro 31, 2017

Depois da chuva


Meu poema recebeu o 3.º lugar, categoria regional, no Concurso Mário Quintana, do SINTRAJUFE/RS, ano de 2017:

Depois da chuva

depois da chuva
poderia sair por ai

distribuindo sorrisos


  girassóis
na tarde cinzenta


mas o tempo
é de flores mortas
estômagos embrutecidos



de espinhos
de rarefeito carinho



 de mentes envergonhadas

de corpos em flagelo

recolho-me e medito
 o mundo é dos vencedores
e tem séculos de arbítrio

 escolhi outro cenário
o destino da poesia.

Ricardo Mainieri

sexta-feira, outubro 06, 2017

Poema premiado - Concurso Ruth Campos - 2017





Poema selecionado no XI Concurso Ruth Campos, de Presidente Prudente, SP, ano de 2017




Metrópole





Os carros

esmagam as vértebras

da avenida



(um cão está morto na calçada)



os homens

só negam a vida

rostos & gestos

mumificados



(um cão permanece morto na calçada)





um bêbado

olha a cena

c

h

o

r

a

.

Ricardo Mainieri

terça-feira, agosto 15, 2017

Poema selecionado no concurso do SINECOL 2017



 

O PASSADO DÓI, MAS PASSA



tinha
a primavera nos olhos



e o coração

na ponta dos dedos

percorria os bares
numa fome etílica
e humana

perseguia
a utopia

ela não parecia distante

hoje
com a alma estilhaçada
emenda os nós da existência

quase solitário

numa implacável
resistência.


Ricardo Mainieri


quarta-feira, julho 19, 2017

Cenurbana


             terceiro lugar no Prêmio Lila Ripoll, 2017, AL/RS





CENURBANA

                                                                                               

sob a marquise

homem & cão

dormem abraçados



na rua

chuva & frio



como foram parar ali

ninguém sabe



para olhos urbanos

apenas dois deserdados



sem pedigree.

Ricardo Mainieri


quinta-feira, junho 29, 2017

Preguiça





Um dos poemas que foi escolhido pela Editora da Tribo para figurar em suas agendas anuais.

 

PREGUIÇA

após o ócio
libertário

a ditadura
do trabalho
transfigurado

depois do feriado
o dia útil

ou nem tanto.


Ricardo Mainieri

quinta-feira, maio 25, 2017

Indícios



estrias de nuvens
na pele do céu
chuva se aproxima.

Ricardo Mainieri

quinta-feira, maio 11, 2017

Tabacaria numa versão bem-humorada




Era domingo. Na noite anterior, Fernando Pessoa tinha tomado duas garrafas de vinho Mateus Rose. 

Não tinha cigarros e a tabacaria estava fechada, naquele momento. 

Padecendo de uma inominável dor de cabeça e fissurado pela falta do tabaco, começou a viajar na maionese e a tecer considerações filosóficas. 

Nisso, o Esteves reabre a tabacaria e ele vê uma menina comendo chocolates. 

Quer ir até lá, mas lembra que está devendo alguns trocados para o dono da Tabacaria. 

Fica puto da cara e escreve aquele poema de quase dez páginas.




Ricardo Mainieri

segunda-feira, abril 03, 2017

Influências



 
se o Ezra
Pound

por que
não eu?

ser Neruda
por um dia

fazer-se de Lorca
depois

anônimo
entre heterônimos
encontrar a pessoa

que vos fala
e diz.
 
Ricardo Mainieri

quarta-feira, março 08, 2017

Dia internacional da mulher



No supermercado, alguns homens compram rosas. Pensam: hoje é o Dia Internacional da Mulher.

Pagam R$ 2,99 e acreditam terem cumprido um rito anual.

À noite, vão presentear a parceira. Pegar o controle remoto e sintonizar no futebol. Ou discutir por causa do tempero da comida. Ou, simplesmente, abrir a porta e sair.


Hoje, o simulacro do afeto: a rosa. Amanhã e nos próximos dias: os espinhos.


Ricardo Mainieri

Poema premiado em 4.º lugar - 6º Concurso Literário de Itaporanga - PB

VERSOS VIRA-LATAS


meus versos
não tem pedigree

são animais

tirados das ruas

crescem assim

meio a esmo


alimentados

pela ração diária

do sentimento


não tente adestrá-los

eles são do mundo


e passeiam

sem culpas


placidamente.



Ricardo Mainieri

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Pandora






nos dias

em que o sol

não me sorri



abro a caixa escura

da memória



saltam 
rotas imagens

fétidos aromas

sensações incorpóreas



faz frio

mas me refaço



novos dias

quem sabe mais cálidos

me esperam



nesta paisagem transitória.


Ricardo Mainieri

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Pluviosa imagem





sob a chuva
pedras conversam
num dialeto antigo


observam os homens
& suas solidões


absorvem humores
bebem angústias


e preparam a cidade
para mais um dia


de suor & lida
assim a vida.


Ricardo Mainieri

PS - A foto quer ilustra o poema é de Marcio Dias.

quarta-feira, dezembro 21, 2016

(Des)encanto



escuridão compacta
domina a paisagem
destes dias


segue em sua faina
de fragmentar

utopias

de sepultar
esperanças


instala seu caos
em favor de poucos


não tem alma
carece
de qualquer empatia


sou frágil
presa fácil


 porta-voz da poesia.



Ricardo Mainieri

sexta-feira, dezembro 09, 2016

Poemas nos ônibus - Balneário Camboriú 2017


Poema selecionado para circular nos ônibus de Balneário Camboriú, SC, no ano de 2017


BIODIVERSIDADE



dor me atinge

ao ver a mata devastada



enlaça

todos os seres vivos



uma epiderme

invisível & contínua

nos une



implacavelmente.


Ricardo Mainieri 

imagem captada pelo autor com uso de máquina Fuji. foto com viragem em sépia.

quinta-feira, novembro 17, 2016

Poema selecionado no Concurso SINECOL - Limeira - SP -2016

O PASSADO DÓI, MAS PASSA


tinha
a primavera nos olhos



e o coração

na ponta dos dedos

percorria os bares
numa fome etílica
e humana

perseguia
a utopia

ela não parecia distante

hoje
com a alma estilhaçada
emenda os nós da existência

quase solitário

numa implacável
resistência.



Ricardo Mainieri

quinta-feira, outubro 20, 2016

Miniconto


 
Lost Paradise

A serpente bem que tentou convencer Adão e Eva.
Era hábil, persuasiva. 
No entanto, não conseguiu inaugurar esta estória de "menage a trois" no Paraíso.
Depois, foi outra estória.

Ricardo Mainieri

segunda-feira, outubro 17, 2016

Poema premiado

Meu poema foi selecionado pelo Projeto Pão e Poesia, da Fundação Cultural de Blumenau. Vai circular de forma inusitada em papel de pão, pois lugar de poesia é em todo lugar.




LABIRINTO-ME


sob o lume 
das trevas
traçar a saída


do labirinto


laboriosamente
num íntimo escape.



Ricardo Mainieri

terça-feira, outubro 04, 2016

Oceano das memórias




aquele teu bilhete
perfumado & selado 
com um beijo

é uma gota 

no oceano das memórias
tempo

dos cabelos cacheados

do primeiro rock in Rio

da leitura
dos livros proibidos
dos cineclubes alternativos
do vinho tinto de garrafão


é um recorte
na noite alta
das ruas de love for sale
entre a Ipiranga & São João



do vá ao teatro 
nas kombis da praça Tiradentes
onde vi Otelo, Gracindo e muito mais



paradisíacos tempos
praias caleidoscópicas
ilhas de aventura
não voltam jamais.


Ricardo Mainieri

quinta-feira, setembro 22, 2016

Dia da árvore


sexta-feira, setembro 09, 2016

Breve ato


quarta-feira, setembro 07, 2016

Oração para 7 de setembro



eles marcham

botas lustradas
& ritmadas
 
crediário escasso
esperanças parceladas

eles assistem

almas engravatadas
sorrisos fake
no horizonte das bocas


nós marchamos

nos dias escuros
na ausência de verbo
& verba


na desesperança nossa
de cada dia


amém.
 

Ricardo Mainieri

quarta-feira, agosto 10, 2016

Do ofício


Este poema recebeu a segunda colocação no Prêmio de Poesia Lila Ripoll, 2016, Porto Alegre/RS



DO OFÍCIO


escrever me redime
escrever me consola

expulsa
de meu templo
decaídos & demônios

reconstrói pontes
interditadas

desentope os poros
da alma

por isso
sobrevivo em versos

e canto.




Ricardo Mainieri