Vampirismo

Por vezes, você está distraído.
Naqueles momentos de reflexão ou de olhar para o horizonte. Assim, meio zen.
Aí, surge a figura. Normalmente gentil e frágil, a um primeiro contato.
Ele lhe conta das desventuras da vida. De sua falta de reconhecimento. Lembra um Woody Allen mais jovem.
Você sente pena, empatia. Começa a consolá-lo.
Ele, como criança birrenta, reclama de suas investidas. Reinaugura o mito do amor incondicional.Quer olhos, nariz, ouvidos, pele e boca ligados ao que fala.
Hipnotizados, por seu pensamento circular.
Deseja uma vida onde só exista o ego. O superego é um ser muito indesejado.
E você sente-se esgotada. A cada elogio, ele se reforça. A cada puxada discreta nas orelhas, ele se revolta.
E aí, amiga, você não sabe o que fazer.
Não lhe resta nem o recurso do conto de Borges, onde diante do inevitável da morte o personagem acorda.
Como um vampiro pós-moderno, ele vai lhe sugando as energias.
Um dia você explode.E a guerra está declarada.
Ricardo Mainieri
1 Comentários:
Uma metáfora bem-humorada para o exclusivismo sufocante. Gostei.
Muito bom teu Blog. Há muito não o visitava, virei com mais frequência.
Beijão,
Jade
Por
Jade, Às
4:54 PM
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