mainieri's

segunda-feira, março 15, 2010

Pois é, poesia…






O mês de março sinaliza o reinício da fase produtiva na vida das pessoas e das empresas.Também, homenageia a Mulher e uma das Artes mais etéreas: a Poesia

No dia 14 de março, comemora-se o Dia Nacional da Poesia e, no dia 21 do mesmo mês, o Dia Mundial da Poesia.

Nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói, grupos de poetas e simpatizantes se congregam numa festividade intensa, ocupando diversos “fronts” usuais e outros nem tanto. Podemos acessar maiores detalhes através deste site: semana da poesia

Mas, como anda a inserção da poesia em nosso cotidiano? Nestes céleres e conturbados tempos?

Não falo da poesia, apenas, finamente impressa a 4 cores, em livros quietamente repousando nas livrarias.

Esta alcança uma pequena parcela do que é atualmente produzido. Uma parte deve-se ao preço considerável da preparação, edição e distribuição de uma obra. Inclua-se nisso tudo, também, a noite de autógrafos, o material promocional, a colocação do livro em Bienais e imagine o custo. Outra, diz respeito à conscientização ecológica que vai se solidificando, paulatinamente, junto à sociedade.

Pois, se possuímos outros suportes para a literatura, por que não se ter uma postura ecológica saudável e pouparmos mais árvores neste planeta já bastante devastado...

Assim, a poesia está presente no cotidiano para quem tem, diríamos, “olhos de ver”. Embora esta seja uma discussão que, ainda, se trava no meio cultural, as letras de música, inúmeras vezes, são exemplos de pura poesia.

O que dizer destes versos de Caetano Veloso: “a força da grana / que ergue e destrói coisas belas/a feia fumaça que sobe/ apagando as estrelas”.

Desta preciosidade de João Bosco:”luz /talismã/ misteriosa kubanacan/ essa noite /o que mais quero é ser/ mil e um pra você" .

Quem sabe, destas inspiradas palavras de Djavan:”e na dor/ eu passo um giz/ arcoirizando a solidão/ na lição que o sol/ me traduz/ viver da própria luz”.

Ou, ainda, do lirismo arrebatador de Lô Borges: “Eu preciso/ dormir em paz/ como o touro e a rosa/ eu preciso levar você/ e dizer que te amo”.

São incontáveis os exemplos e, cada um, terá suas preferências e poderá defendê-las em animadas audições coletivas ou na mesa festiva de um happy hour. Quem sabe, até, cantarolá-la num momento furtivo de exaltação...

Sob outro prisma, a poesia, também, vai marcando presença. Uma outra face da resistência poética, são os grupos organizados em torno dela na INTERNET. Eles são vários e abarcam todos os estilos. Vão desde o poema breve, minimalista, passando pelos sonetos até desaguar na poesia visual e concreta.

Nas ondas do cyberespaço a divulgação é, muitas vezes, gratuita. Vates diversos propagam suas produções, recebem e emitem comentários, interagem.

Um contraponto contemporâneo à poesia dos cadernos culturais, nos jornais da grande imprensa que está, infelizmente, quase finada. Esta obedece à lógica do capitalismo avançado e vive de inversões publicitárias. Como reza a lenda: poesia não vende...

Deste modo, o espaço internético, tornou-se patrimônio precioso.

Nele, navegam poetas amadores e, também , autores consagrados como Ferreira Gullar e Fabrício Carpinejar. Ambos, tem seu site e fazem um uso positivo das ferramentas tecnológicas. Muitos jovens poetas (e alguns nem tanto) buscam, naturalmente, seu espaço. A moderna poesia brasileira produz exemplos significativos como estes:


Homens erguem espadas
Mulheres carregam a cruz
[...]

Cada qual
com sua dor e culpa
girando os
ponteiros da mesma
roda.


Raiça Bomfim In:
http://raibomfim.blogspot.com

(um poema sobre os símbolos do feminino e do masculino)



Ou este:

Dá-me tua mão
tarde de maio
tua chuva fina
teus filtros de memória
tua claridade.

O coração persiste
na lenta construção
das manhãs.

Jorge Adelar Finatto
http://www.ofazedordeauroras.blogspot.com

Ou, ainda, este, finalizando:

doa-se
um domingo
abandonado:
dócil
castrado
vacinado
vermifugado

domingo sem carrapatos

doa-se
um domingo amigo
que não estraga sapatos


tímido domingo
não late
não morde
não faz alarde

domingo de pequeno porte
ideal para passear
no shopping

Valéria Tarelho
In Poemas que latem ao coração, SP, 2009



Fiquemos, pois, com a fruição poética. Mesmo, nestes momentos de pragmatismo e velocidade. A poesia é um bálsamo, um retiro, um oásis para a alma. Nela, o humano imperecível se mostra, sem rodeios ou subterfúgios. Então,vamos dar parabéns à aniversariante. Palmas para ela, Senhora Poesia, que ela merece...


Ricardo Mainieri

5 Comentários:

  • Belas palavras, meu amigo poeta!
    Aproveito para divulgar o novo velho espaço reaberto, o Nova Literatura. Aí vai o link:
    http://novaliteratura.ning.com/
    Beijo!

    Por Blogger Ana Guimarães, Às 9:00 PM  

  • A POÉTICA DE SUA PALAVRA É VALIOSA, MAINIERI.
    PARABÉNS!!

    Por Blogger Jussara Midlej, Às 11:30 PM  

  • Este comentário foi removido pelo autor.

    Por Blogger Tere Tavares, Às 5:09 PM  

  • E não fossem esses pequenos, mas imensuráveis oásis, não haveria, talvez, mais gotas para preencher esse desértico oceano humano(?).
    A poesia não muda embora mudem as mídias; vivas a essa dama que nunca envelhece!

    Por Blogger Tere Tavares, Às 5:13 PM  

  • tá lindo! poesia é isso mesmo, olhos para ouvir, mãos para falar e sebo nas canelas que o poema vem aí, todo serelepe, chegando de penetra em todos os lugares. e mesmo intruso, se enturma de tal forma, que é como sempre tivesse pertencido

    saudações poéticas, Clauky Boom

    Por Blogger Na Mira da Rima, Às 11:47 AM  

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